São 7h45 na estação Liberdade do Metrô. Muitas pessoas já circulam ali, uma fauna bem diferente daquela que vemos aos fins de semana, quando a Praça da Liberdade é tomada por adolescentes de cabelos chapados, tingidos e levantados e roupas curiosas. Como diria um amigo, é um “banquete para psiquiatras”.
Venta muito na praça e alguns mendigos tentam dormir nos cantos mais privilegiados. Pego o caminho da rua Galvão Bueno, debaixo dos postes vermelhos inspirados nas típicas lanternas japonesas.

Um senhor me aborda logo na esquina para entregar um folheto de oportunidades de emprego para japoneses que acabaram de voltar do Japão. “Você é mestiça?”, pergunta, com um sotaque sôfrego. Enfio o folheto no bolso e digo que não. Não sei porque tanta gente acha isso.
A Galvão Bueno é hoje um centro de comércio de produtos orientais no bairro da Liberdade. Poucas esquinas agrupam uma série de lojinhas, galerias, mercados e restaurantes. Existe o Shopping Trade Center, por exemplo, um centro de compras de vários andares e que como a Ikesaki Cosméticos, logo ao lado, possui prateleiras e mais prateleiras de produtos de beleza e consumo impulsivo.
Minha grande paixão é entrar nos mercadinhos e descobrir os quitutes da culinária japonesa, assim como as tranqueiras cheias de corantes. Entrei no Mercado Marukai, o maior da rua, que costuma estar sempre lotado. Pelo horário, haviam poucas pessoas com carrinhos observando os medalhões de salmão de 600g (R$ 55,30), os anéis de lula de 500 (R$ 16,50) e as ovas de capelin e salmão “tipo caviar” (R$ 14,00 e R$ 28,00, respectivamente).
Existem alguns comes e bebes realmente curiosos nesse mercado, como a bebida de aloe vera de vários sabores, como babosa e lichia (R$ 3,60 a garrafa pequena e R$ 8,00 a grande); temperos de arroz em embalagens que parecem de brinquedo, com imagens de personagens de desenho; e os famigerados doces de feijão. Isso vai ser sempre uma coisa estranha pra mim. Feijão e açúcar é uma combinação que não agrada o meu paladar.
Para quem gosta de comida japonesa e está com o orçamento curto, os mercados são boas opções. Lá se encontra uma grande variedade de bentôs, as marmitas, cujo preço varia entre R$ 5,20 e R$ 13,90, e que servem mais de uma pessoa. Saio de lá com um pacote de chicletes importados, acho que de framboesa. São roxos e pequeninos, de modo que preciso mastigá-los aos montes.
Passando pela Ponte da Amizade, onde alguns ambulantes vedem gorros e luvas e outros animais de plástico para as crianças, chego a Gigi presentes. Essa loja não me chamaria a atenção não fosse a diversidade de espécimes na vitrine. Nunca antes vira leões marinhos, aranhas e polvos de pelúcia.
Antes de ser Galvão Bueno, essa rua se chamava “rua Detrás do Cemitério” (havia um cemitério de escravos onde hoje é o metrô) e era mais conhecida por suas pensões e repúblicas de estudantes.
Seu nome foi dado em homenagem ao advogado e professor de filosofia da Faculdade de Direito da USP Carlos Mariano Galvão Bueno, que morreu afogado durante uma pescaria no rio Tamanduateí. É um alívio saber que uma rua tão cheia de curiosidades não foi nomeada após o locutor esportivo da Rede Globo, o cara mais chato da televisão brasileira.
Localização:

Uma dica para quem quiser comprar bentô pra janta é ir mais tarde, lá pelas 4, 5 da tarde. Como os mercados (Marukai, Casa Bueno e cia) precisam vender tudo (já que não dá para guardar para amanhã), eles dão descontos no bentô!
Feijão e açúcar são não é mais estranho que feijão-com-arroz-e-açúcar!
E os temperos de arroz vendidos em envelopes com desenhos de criança fazem todo a diferença no arroz branco…
ótima ideia de blog! Informativo, interessante…vou linkar vc tá?
Parabéns!
faz tempo que esse blog nao recebe um novo post, ams mesmo assim, passo para deixar um selo com vcs…passe no meu blog e pegue!
parabens!
Fiquei entusiasmada com o seu blog. Moro na Espanha, numa terrinha muito perto da fronteira portuguesa. Estive a dar uma vista de olhos nos seus comentários e dá para perceber logo que é uma grande conhecedora da cidade de Sao Paulo, da história e curiosidades.
Podería me fazer um favor?…. a vila na qual eu moro cham-se Valencia de Alcántara. Enconta-mos por acaso que na vosa cidade á uma rua com o mesmo nome. Tentei investigar, já que falo um bocadinho o português, mais ninguém conseguiú me dar raçoes do motivo e a historia de essa rua.
Voce sabe a que podería me dirigir???…. Cómo conseguir averiguar isso???.
Adoro vossa cidade e ficamos muito orgulhosos de sermos um bocadinh irmaos, nem que seja pelo nome desta rua…. de certeza algué da minha terra esteve ahí pertinho de voces….. quando????, quem foi???… Adorava que me dessem uma ajudinha e obrigada e parabens desde o otro lado do mundo!!!!.
Beijinhos.