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O lugar que os freqüentadores da Augusta de outrora tanto amavam já não é mais o mesmo. Não existe mais colégio Paes Leme; nem Jack in The Box, onde se encontravam saborosos tacos; o famoso Mondo Cane; o Yara, onde se tomou muito chá; o Longchamps, lugar para se beber um choppinho; a lanchonete Hot Dog e a Simbad; o Cine Picolino e outros desses espaços que ocupam o imaginário desses augustos amantes. O tapete vermelho que cobriu a rua da moda hoje é pisado por all-stars e botas de cano alto.
A Augusta é, atualmente, reduto de jovens que se denominam alternativos, os herdeiros das calças justas do Sex Pistols. Eles compram na Galeria Ouro Fino, conhecida já de outros tempos, onde pode ser encontrada uma imensidão de camisas xadrezes e com estampas de filmes clássicos, assim como botas vermelhas de vinil com cano mais longo que uma perna; comem n’O Pedaço da Pizza, boa pedida para quem está disposto a pagar R$ 3,50 (aproximadamente) num pedaço de pizza de mussarela; e se reúnem no Sarajevo, na Outs e em outras baladas da região.
O Estilo Augusta
Sentado sozinho no Bar Cuca, numa esquina que concentra ainda os abarrotados Ibotirama e Vitrine, Éder Lucas Santana toma uma cerveja e observa o movimento. Chegado a pouco mais de um ano de Presidente Prudente, no interior do estado, ele dá aulas de geografia na Zona Leste.
“Gasto o meu salário experimentando São Paulo”, conta Éder, que se auto-intitula um “geógrafo-pesquisador-alternativo”. Esse indivíduo foi atraído para a metrópole pela grande diversidade de sua fauna, que observa das mesas dos bares ou em andanças pela cidade.
“Aqui é muito louco! Por mais que eu veja estilos parecidos, existe um estilinho Augusta: os caras com o cabelinho escorridinho, tipo emos, e as meninas com alargadores na orelha, tatuadas pra caramba, com roupinhas quadriculadas. Esse é o estilinho do momento”, diz. O geógrafo considera esse estilo “fake pra caralho. Porque o pessoal não é assim, eles se montam pra noite”.
Éder compara as boates de punk rock dali e da Zona Leste, onde trabalha. “A Outs é um espaço dito alternativo… É alternativo pro pessoal de classe média que circula por aqui”. Segundo ele, só um ou outro “doido” da periferia anda por ali e com no máximo R$ 10,00 no bolso, diferente do público costumeiro, para quem “50 mangos é fichinha”.
Em meio a álcool e cigarros, Éder divaga: “Um lugar é um espaço que te marca por alguma coisa psicológica. Se eu não tivesse uma vivência aqui, isso não seria nada”.
Tempos que mudam
Márcio Kenji*, que mora na Augusta há cerca de 20 anos, sustenta a idéia de que a rua mudou em grande parte com a chegada das boates e casas noturnas como Outs, Inferno, Vegas, A Lôca e Fun House (as últimas localizadas na região). Para ele, o crescimento do movimento está condicionado ao surgimento de novos estabelecimentos.
O alfaiate Sebastião Rodrigues também pensa assim. Enquanto toma uma cerveja no balcão de um bar-padaria que toca música sertaneja de péssimo gosto, ele conta sua história passada na Augusta.
Antigo dono da alfaiataria Rodrigues por mais de 20 anos, com equipe montada e boa clientela, foi a levado a falência pelo jogo. As apostas em turfe (corrida de cavalo) da primeira à última rodada do dia levaram todo o patrimônio de Sebastião.
Ele conta que a Augusta virou “uma confusão” há cerca de cinco anos. “Quando teve a passeata dos gays aqui, minha filha, era tanta gente que subia e descia que eu fiquei com medo de fechar o estabelecimento”, diz.
Quando veio para a Augusta, nos anos 70, a rua era muito famosa, chique. Conta com graça que, quando era indicado a amigos de clientes e estes descobriam onde ficava sua alfaiataria diziam logo “Ah, não! Lá é só pra gente rica!”.
Livre do jogo há sete anos, Sebastião cultiva um espírito vitorioso: “Vim ao mundo pra ser vencedor. Eu dei a volta por cima”. Para ele, há 30 anos a Augusta “era mais a rua Augusta… A rua Augusta hoje é uma rua comum”.
*nome fictício
Meninas da Augusta
Um homem alto, negro, com os braços cruzados e uma medalha de São Sebastião no peito. Esse é Madureira, leão-de-chácara da casa Vira Virou. Conta com nove anos de rua Augusta e diz que o que mais chama sua atenção é o “encanto das meninas”.
Com mais de 15 casas de prostituição, “atualmente, a Augusta vive disso”, diz. No entanto, o negócio está diminuindo. O apogeu se deu nas décadas de 70 e 80, quando havia uma realeza em volta das chamadas casas de entretenimento para homens: “Você era chamado de cavalheiro e havia toda uma sensualidade quando a menina se aproximava do cliente”.
Após uma breve interrupção por um gringo que deseja usufruir dos serviços da casa, Madureira começa a nos contar como as coisas são nos dias de hoje. Cita o grande uso de drogas, a falta de respeito e o choque de idéias entre as muitas tribos que ali se encontram como motivos pelos quais o movimento diminuiu. Num fim de semana movimentado, uma menina “que trabalhar bem” consegue fazer até dez programas. Atualmente, a maior parte dos clientes é jovem e a relação entre os fregueses e as prostitutas é mais “escrachada”.
Quem conhece o Fofão?
Bom, não poderíamos falar de Augusta sem mencionar o (a) Fofão, um personagem típico da região e conhecido pela grande maioria. Embora alguns não saibam seu apelido, todos reconhecem a descrição do “travesti de bochechas inchadas”.
A cabeleireira Zenilda, de um salão que fica abaixo do nível da calçada, diz que o(a) Fofão trabalha como maquiador(a). “Acho que ele levou um monte de silicone no rosto e ficou fofão mesmo”, diz.
Já o nosso amigo “geógrafo-pesquisador-alternativo” conta que “Pelo que me consta, ele é um transexual. É um cara que queria se transformar em mulher, fez altos apliques e deu tudo errado. Deformou o rosto dele ou dela…”
Uma pequena revelação parte de Sebastião: “Eu conheço esse elemento. Na época em que eu tinha alfaiataria, no n.1.172, ele não saía de um hotelzinho. Não sei o que aconteceu, mas ele sumiu. Ficou um tempão sem aparecer e quando voltou estava todo deformado”. Isso foi há cerca de 18 anos.
São muitos os mitos e lendas que rondam a história desse personagem incomum da rua Augusta. Convido o leitor que conhecer mais de sua história a dar informações que possam enriquecer esse relato.
Vi o Fofão domingo passado, se não me engano, dormindo num cloolchão, no meio da rua.
Vai ter um filme sobre a Augusta, filmado lá (claro), baseado no livro A Estratégia de Lilith (será esse o nome??), escrito por um mendigo ‘habitué’ da região.
Deu até na Mônica Bérgamo, um tempo atrás…
Olá amigo! Boa matéria! A Rua Augusta não vive só de garotas de programa! Já existe lá 7 excelentes casas noturnas, o que está dando novas caras a nossa Querida Rua Augusta! Valeu…
heeuahuahueaea, tudo bem q jornalista ganha mal mas tb não precisa chamar o alex antunes de mendigo!
É a minha rua preferida de São Paulo.
Frequento a Augusta quase todos os dias, apesar de morar a 35 Kms de distância!!! Gosto muito das casa de prostituição, é uma pena mas o movimento está caindo, muita molecada. Mas quem é rei (ou rainha) nunca perde a majestade!!!