Intensamente movimentada durante os dias da semana, a famosa Estrada das Lágrimas, localizada entre o município de São Caetano do Sul e os bairros do Ipiranga e Sacoman, não é diferente durante os finais de semana. Apesar da diminuição no número de veículos, cresce consideravelmente o de pedestres durante os sábados. Isso aliada ao aumento dos comércios ambulantes e das tão alardeadas promoções dos varejistas da região.
O momento, então, é propício para uma caminhada para encontrar boas opções de compras e conversas. É necessário ter paciência, já que os motoristas de ônibus passam em velocidades acima das indicadas pelas placas, obrigando crianças e idosos a rapidamente pular para o meio-fio.
Se a intenção é fazer boas compras os achados podem ser muitos. Açougues e pequenos mercados da região vendem de tudo, principalmente carne, por um preço dificilmente encontrado em outros armazéns e comércios da cidade. Marcos da Silva diz acreditar que os preços baixos ocorrem em virtude do menor poder aquisitivo da população que reside nas redondezas: “Nos finais de semana os que mais compram aqui são os moradores do Heliópolis, que não podem gastar tanto quanto os outros”.
Carnes, variedades alimentícias e produtos básicos em geral, são os produtos mais vendidos, devido ao alto número de mercados e lanchonetes, mas vasculhando bem as ofertas é possível encontrar ótimos preços em remédios, produtos de cama, mesa e banho, calçados e até eletroeletrônicos e peças automotivas.
Se a opção é apenas curtir um pouco a história da via a escolha mais indicada pela população que reside próximo ao local é a Árvore das Lágrimas. Localizada entre os números 515 e 535 da Estrada, ela abarca um significado histórico ainda muito importante para parte dos moradores mais antigos da região. A figueira, que possui registros históricos desde 1862, já foi motivo de campanha do jornal O Estado de São Paulo, em 1909, para evitar que o dono do terreno a derrubasse.
Considerada marco por determinar o limite da cidade nas expedições para o litoral pelo antigo Caminho do Mar, a centenária árvore foi lembrada durante os festejos do IV Centenário da cidade de São Paulo, em 1954, quando fez parte dos destinos turísticos das comemorações. Hoje seu corte é proibido por ser relacionado pela Vegetação Significativa do Município de São Paulo, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.

Apesar de não ser muito lembrada fora das regiões no seu entorno, a árvore continua sendo um símbolo do passado tentando sobreviver aos modernos edifícios atuais. Ver crianças, adultos e idosos procurando sua sombra nos finais de semana é um bom motivo para preservá-la, como bem resume o jovem Iran Catarino: “Eu venho desde criança. Meu pai me traz para cá com meu irmão todo sábado e domingo. É muito bom e ela parece cuidar da gente”.